30.11.07

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!...

Sem Remédio - Florbela Espanca - do Livro de Mágoas (como quase tudo dela que coloco aqui)


A solidão me mata
Aperta o peito
Afiada como faca
Sufocante como nada

Receio perder a juventude
Sem sorrir, sem viver
Esperando que isso mude
Sonhando com o que não pude

Me afogando em rotina
Para não pensar
A angústia dói
Sinto o tempo passar

Um comentário:

Thiago disse...

mais um que me bate identificação direta.

Farei uma compilação de suas poesias depois ^^

Bjos.